ÉTICA NA MÍDIA x FORMADORES DE OPINIÃO


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4 de jun. de 2007

CONCEITOS ÉTICOS GERAM POLÊMICA


A ética de formadores de opinião é atualmente sempre posta à prova, visto que abrange diversos conceitos nem sempre compreendidos pelas pessoas de forma geral. Nem tudo aquilo que é visto como antiético na verdade o é. Entende-se por ética o conjunto de valores que moldam comportamentos a partir de normas sociais, porém a ética é relativa, depende do tempo e do lugar em que você se encontra, afinal os valores podem variar em função da cultura e do grupo social e não são universais.
Muitas vezes, fazemos um pré-julgamento sem muitas vezes avaliar todas essas condições, o que se torna algo perigoso. No caso Roberto Carlos, principalmente os fãs, consideraram sua postura “pedante” e “antiética”, mas na verdade se fizermos uma análise mais abrangente, o que pode estar errado, de fato é a maneira como foi feito, mas não o processo em si, visto que o conteúdo do livro o atingia de forma negativa, em algum momento.
Para a jornalista Clarissa Dumiense a postura do cantor só foi considerada errônea pelo fato de o livro ter sido escrito por um fã, o que fez todos os outros também se sentirem atingidos.
“Os fãs de forma geral se sentiram mal por acharem que teriam o direito de ter acesso a esse tipo de informações, mas não observaram o outro lado. Eu não li o livro, mas tenho acompanhado bastante o assunto e vejo que é muito delicado. Não sei se no lugar dele eu publicaria. Fatos que não devem ter sido ainda superados por ele foram colocados ali de forma indevida. É complicado julgar a postura dele, de fora é fácil falar, porém não sabemos de que forma essas coisas o afetam. Não acredito que ele esteja fazendo isso para chamar atenção, para estar na mídia, como muitos dizem”.
Com relação ao casamento de Ana Maria Braga com Marcelo Frisoni, empresário acusado de ter cometido crimes, Clarissa diz que além de serem apenas especulações, dizem respeito única e exclusivamente a ela, pois faz parte de sua vida pessoal. “Um (a) jovem não será influenciado a se casar com uma criminosa (o) por causa disso. Acho que é algo que diz respeito só a ela, não falta ética no caso, falta discernimento, caso isso realmente seja verdade, do que isso trará para a vida dela. O problema é que as pessoas não entendem a responsabilidade social e a ética de forma correta. Toda atitude que foge ao comum, ao “aceitável”, as pessoas vêem como antiético e as vezes, salvo algumas exceções, julgam sem nem ter idéia da história por completo. Maldizem apenas por ser uma atitude diferente”, conclui.




Isabella Carretero

Impostores da hipocrisia


"Imagine só,o popozao de uma carioca, a cachorrada de uma curitibana e a ingratidão de um paulista, movidos apenas pela vontade de falar mal de todo mundo, passando pelos malditos fotologgers, por frequentadores do james, do atari, de hippies, metaleiros, indies, roqueiros, funkeiros, na verdade, falar mal de todo mundo que habita o planeta. "

Essa é a descrição do trio As Impostora, na página da banda no MySpace.;


Em entrevista com Cello Zero, produtor, dj e integrante desta banda que usa elementos "pop" e formadores de opinião que transitam na boca de todos os "nichos" e "tribos" que compõe a cena das boates e clubes de qualquer "eixo-pop" que se preze, descobrimos que o caçador também vira caça, e que toda crítica tem um fundo de auto-crítica.
O que quer que seja que se auto-denomine um grupo, uma tendência, que tenha uma "tarjeta de classificação" com caracteristicas próprias e seguidas por todos os " membros ", não foge da língua abusada e divertida dessas três figuras que não pertecem a tribo nenhuma, talvez a dos Sátiros,
que moravam nos bosques gregos, cuja guarda lhes estava incubida. Alegres, maliciosos, formavam a escolta de Dionísio ( o deus grego da festa e da bebida !) e tomavam parte em todas as suas festas, acompanhados das Ninfas.
E é esse sátiro, sem suas ninfas, que responde ás perguntas do OPINORAMA:

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OPINORAMA -
Cello, o que te inspirou a montar uma banda que " fala mal de todo mundo que habita o planeta"?

Cello
-
Na verdade a idéia foi da Vicky e da Bárbara para começar, para falar mal do Bonde do Rolê. Quando nos demos conta, já estávamos falando mal de todos mesmo, na verdade principalmente da gente e de pessoas ao nosso redor. Tudo é uma forma de autocrítica do meio que convivemos, dos exageros, que transformou as cenas e tribos criticadas em figuras caricatas de si mesmos, e deixar a imagem acima do que determinada tribo realmente teria que representar. São esses exageros que nos dão inspiração pra ridicularizar e fazer música.

OPINORAMA
- E hoje vocês tem fãs, e mesmo sem que queiram, há pessoas que os imitam, que seguem o que acham que vocês "pregam". Como você se sente fazendo parte do "outro lado" ?

Cello
- Na verdade é uma coisa que a gente não conseguiu assimilar muito ainda, a gente é banda pequena, isso assusta, saber que a gente tem fã, receber email... Tem lugar que a gente chega e vem gente querer conhecer a gente porque adora o nosso som e o que a gente fala.É divertido, mas dá medo principalmente porque nosso público em grande parte é adolescente, que ainda está na fase de formar a própria cabeça e a própria conduta, então a gente tem que prestar atenção no que faz e fala, imagina se um resolve copiar alguma atitude bizarra nossa?

OPINORAMA - Você acha que vocês tem algum tipo de responsabilidade ética em relação aos seus fãs, no sentido de que qualquer coisa que se origine de vocês enquanto personas "das Impostora " possa influenciar opiniões e comportamentos?
Cello -Toda a responsabilidade do mundo... como eu acredito que a maioria das pessoas (eu sou uma delas) quando é fã de alguém, tende a adquirir comportamentos e atitudes do alguém em questão. Seja modo de se vestir, modo de falar, opiniões, ou modo de se comportar em algum lugar, porque a partir do momento que você é destacado de alguma maneira, mais pessoas estão ouvindo e vendo o que você pensa e tem a dizer. É um exemplo besta e de alguém que tem um destaque infitamente superior à gente, mas lembra quando o Ronaldinho cortou o cabelo à la "Cascão"? Molecada fã dele foi lá e fez igual. A gente experimenta isso em proporção menor, mas isso acontece.

OPINORAMA - Cello, nosso podcast, do OPINORAMA, que você acabou de ouvir, discutiu a recente vitória na justiça do cantor Roberto Carlos sobre a editora que publicou uma biografia não-autorizada sobre ele. Qual a sua opinião, como comunicador ( Cello também trabalha na Editora Abril como redator ) e cidadão sobre o assunto?

Cello -
A partir do momento que ele (Roberto Carlos) é uma figura pública, ele está exposto à esse tipo de coisa, eu acompanhei pouco esse caso da biografia, mas não é sempre que dá pra confiar no que é dito por alguém de fora, as pessoas adoram inventar, e o que estava sendo mostrado na biografia são detalhes da vida pessoal dele. É dificil saber o que é fato e o que é invencionice. Quem escreveu, como jornalista e escritor, tinha que ter o clássico "compromisso com a verdade", e a verdade, não é necessariamente o que aconteceu, mas aquilo que se pode provar, isso é princípio básico de Direito. Roberto está certo de se preservar. Eu faria o mesmo que ele. Quem é comunicador não tem o direito de falar algo não autorizado, e pior, lucrar com isso, é imoral, anti-ético e ilegal na minha opinião.


OPINORAMA - E para fechar essa entrevista, nos conte quais os formadores de opinião do Brasil que você acredita que tem a melhor e a pior influência ética nos cidadãos...

Cello -
Essa quebrou minhas pernas uhahuahuahua...

É clichê falar isso, mas eu acho os formadores de opinião da televisão, especialmente os da Rede Globo, os piores, por serem absolutamente tendenciosos. Eu entendo o lado deles, é dinheiro, interesse político, e eles tendem pro que faça eles ganharem algo, é humano isso.
Melhores é quase impossível de responder, mas eu gosto muito da Penélope, da MTV, porque ela é debochada quando fala, bem no estilo que eu também gosto de ser com música, falar uma coisa querendo dizer outra...
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Para quem quiser ouvir as músicas da banda, acessem o site da gravadora Trama onde podem ser feitos downloads das músicas, ou o MySpace, e ativem o player que tem na página.

Até o próximo post!

Isabelle Mani

3 de jun. de 2007

ROBERTO CARLOS E A CENSURA




"Não li o livro todo. Mas, me desagrada muito porque ofende a mim e pessoas que me são caras. É muito estranho que alguém lance mão da minha história, meu patrimônio pessoal em seu benefício e para um fim comercial. Estou muito aborrecido, meus advogados estão estudando a questão: vamos agir dentro da lei"- Roberto Carlos
.


Publicado na revista Veja do dia nove de maio, o artigo "A fogueira de Roberto Carlos" falava sobre o embargo jurídico que o cantor conseguiu impor à biografia não -autorizada "Roberto Carlos em Detalhes", feita pelo historiador Paulo César de Araújo e publicada pela editora Planeta. Muito já foi discutido sobre a polêmica que o "cala-te-boca" do cantor gerou, e as opiniões estavam divididas em relação à postura tomada por Roberto Carlos, se era censura à liberdade de expressão ou legítimo direito de defesa contra invasão de privacidade.

Paulo Coelho, em artigo na Folha de S. Paulo, censurou tanto o autor da proibição, por sua “atitude infantil”, quanto à própria editora por ter cedido tão facilmente em um acordo que colocou panos quentes na situação. O argumento de Coelho é de que o cantor é uma pessoa pública, portanto, as informações sobre sua vida não lhe pertencem. Ultimamente muito se debate sobre a questão do público/ privado e qual é a fronteira na sociedade contemporânea. Mas há uma questão que não foi abordada pela mídia e que seria importante destacar: muitos exemplares desse livro foram vendidos desde o lançamento e tantos outros estão em circulação até o momento. Estamos na era da fotocópia há anos, do scanner, da digitalização da informação e da internet. Ora, basta que alguém disponibilize o livro on-line, o que já foi feito por inúmeros blogs e sites, para que virtualmente esse material esteja disponível ao planeta inteiro, com imensa facilidade de acesso.

A pergunta que fica é a seguinte: qual a razão para se retirar de circulação mais de 10.000 livros, quando basta apenas um para que a informação esteja disponível a todos a qualquer momento? Não estamos mais na época da imprensa escrita e limitada e sim na era da tecnologia, da sociedade em rede, que é um sistema de comunicação inteiramente diferente da cultura letrada que predominou até os anos 80.
Esse atitude de Roberto Carlos, é, no mínimo, discutível. Talvez tivesse saído mais barato – em todos os sentidos – não ter feito absolutamente nada, e deixado o livro cair no esquecimento, o que provavelmente teria acontecido. Afinal, o que há de tão importante nessa história que não possa ser narrada ou que já não seja de domínio público, em uma biografia assumidamente favorável ao biografado, feita por um historiador confessadamente fã do cantor. Isso gerou um deja-vù dos anos de ditadura e censura para muita gente. Será que alguém ainda se interessaria em ler uma biografia do cantor hoje em dia ? Para quem é fã, acredito que sim, porém , para os questionadores, os fãs do contraditório, ler uma obra dessas seria muito mais um ato crítico do que condescendente.
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Isabelle Mani